Turismo e Lazer   |   Aldeias do Xisto

        

Programa das Aldeias do Xisto

O “Programa das Aldeias do Xisto” foi implementado a partir de 2001 pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), usando fundos comunitários através do Programa Operacional da Região Centro. Foram seleccionadas 24 Aldeias em 14 concelhos da unidade territorial então conhecida como Pinhal Interior. A candidatura destas aldeias ao Programa e aos seus fundos foi promovida pelas respectivas Câmaras Municipais, através da elaboração de “Planos de Aldeia” por uma equipa técnica especializada e multidisciplinar. O Plano de Aldeia é, no fundo, um documento de trabalho que traduz um estudo aprofundado da aldeia, da sua envolvente e população. A partir deste estudo foram então definidas linhas de acção essenciais a adoptar no terreno para promover o desenvolvimento integrado dessa parcela do território. Desenvolvimento esse que passava pela instalação de infra-estruturas básicas, como saneamento, abastecimento de água e electricidade, requalificação dos espaços e dos imóveis públicos, bem como a requalificação dos imóveis privados. Foram anos de obras bastante cuidadas, promovidas pelos Municípios com o objectivo de preservar o seu património construído e para criar melhores condições de vida aos habitantes locais.

Sobre o Projecto

Ao longo dos últimos anos, as 24 Aldeias do Xisto beneficiaram de um projecto de requalificação que lhes permitiu adquirir potencial humano de desenvolvimento: o “Programa das Aldeias do Xisto” tinha como vectores fundamentais a recuperação das tradições, a valorização do património arquitectónico construído, a dinamização das artes e ofícios tradicionais e a defesa e preservação da paisagem envolvente. Este importante trabalho, promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), nunca perdeu de vista porém aquilo que era o seu objectivo primeiro: melhorar a qualidade de vida das populações das aldeias, elevando os seus níveis de auto-estima, qualificando o seu tecido social e agregando-as num processo participativo de desenvolvimento que é, antes de mais, seu. Hoje, as Aldeias do Xisto transformaram-se em pólos de atracção turística suficientemente dinâmicos ao ponto de terem estimulado a criação de uma nova base económica de captação de visitantes e de investimento privado.

Social Label

O Programa das Aldeias do Xisto promoveu ainda os produtos locais, a animação turística das aldeias e a qualificação dos seus habitantes e agentes económicos através de acções de formação profissional. O ponto fulcral de todas estas intervenções está centrado nas pessoas, isto é, há uma estratégia de desenvolvimento que, embora prioritariamente alicerçada no aproveitamento turístico do território, sempre teve como meta final a melhoria das condições de vida das populações residentes, criando emprego e qualificando os recursos humanos de forma a permitir o surgimento de uma nova base económica. Em suma, afirmar as aldeias enquanto património com potencial turístico, com as pessoas e as suas vivências.

A Barroca nas Aldeias do Xisto

A Casa Grande, antigo solar do século XVIII onde hoje funciona o Centro Dinamizador das Aldeias do Xisto, acolhe-nos e lança-nos à descoberta. Na Barroca continua a respirar-se um ambiente rural, pautado pelos seus ciclos agrícolas. A paisagem circundante é enquadrada pelo pinhal e pelas pirâmides das escombreiras da Lavaria do Cabeço do Pião, que já pertenceram às Minas da Panasqueira. Hoje preparam-se para albergar um Parque Temático Mineiro. A Barroca é também a Sede da Rede de Lojas das Aldeias do Xisto.

Loja das Aldeias do Xisto na Barroca
Loja das Aldeias do Xisto na Barroca

No caminho que nos leva à beira do Zêzere descobrem-se antigos moinhos que laboravam com a força do rio. O espelho de água e a paisagem impõem um momento de pausa, antes de se atravessar a ponte pedonal para a outra margem e descobrir as gravuras rupestres que os nossos antepassados ali deixaram gravadas na rocha há milhares de anos. A Casa Grande também alberga um Centro de Interpretação deste património e desafia-nos a percorrer a Rota da Arte Rupestre do Pinhal Interior.

Folheto do Caminho do Xisto da Barroca   Caminho do Xisto da Barroca (592 KB)

Folheto Turístico da Barroca   Folheto Turístico da Barroca (359 KB)

Rede da Arte Rupestre das Aldeias do Xisto

A Região Centro apresenta diversos indícios de ocupação humana de tempos pré-históricos. Muitas delas assumem a forma de gravuras cravadas na rocha, ou em conjuntos de rochas, que constituem um inestimável património histórico e arqueológico do território, com óbvias potencialidades ao nível da promoção turística. Este projecto pretende lançar as bases para a criação de uma Rota da Arte Rupestre no território das Aldeias do Xisto, a partir de dois locais de: Poço do Caldeirão, em Barroca, no Município de Fundão, e Chãs d’Égua, no Piódão, no Município de Arganil. Em ambos os locais existem gravuras rupestres de inestimável valor, já identificados e em avançado estado de estudo pelas entidades nacionais com autoridade na matéria, necessitando agora, por um lado, da existência de centros interpretativos que se assumam como uma base para a continuação dos estudos e para a recepção aos visitantes e, por outro, de um projecto global de promoção de uma rede temática específica.

As Gravuras na Barroca

Na margem direita do Zêzere, ladeando o sítio conhecido como Poço do Caldeirão, localizam-se duas rochas xisto-grauváquicas decoradas com gravuras rupestres de clara tipologia paleolítica, com representações de equídeos e caprídeos. São datáveis entre 20.000 e 15.000 anos A.C. Estas figuras enquadram-se nas fases antigas do ciclo rupestre do Vale do Côa, onde há bons paralelos em motivos similares.

Mas existem outras, como são exemplo uma rocha de superfície horizontal na qual foram gravadas por picotagem três figurações de cavalos, todos orientados para a direita. Os animais não estão completamente figurados, sendo representados em atitude de salto como se saíssem do interior da rocha, uma característica bem conhecida na arte paleolítica. As formas e características do suporte rochoso são aproveitadas criativamente pelo artista paleolítico, que assim integra as figuras rupestres num conjunto harmonioso em que a rocha é ela própria parte da obra de arte.

Gravuras Rupestres
Gravuras Rupestres

Este aspecto é ainda mais acentuado no outro painel decorado do Poço do Caldeirão. Numa outra rocha, esta de superfície vertical muito erodida, na qual estão gravadas por picotagem fina duas representações de cabras. Com uma intencionalidade muito típica da estética dos caçadores do Paleolítico superior, as cérvico-dorsais dos dois animais aproveitam a linha de contorno muito boleada da parte superior do pequeno painel, contribuindo para dar às figuras zoomórficas uma ilusória volumetria, acentuada pela concavidade do suporte rochoso. As cabras estão representadas em posição de afrontamento, com as duas cabeças quase se tocando. Os dois animais de tamanhos diferentes adaptaram-se assim ao espaço operativo muito reduzido.

Poço do Caldeirão
Poço do Caldeirão

O sítio rupestre do Poço do Caldeirão distribui-se por ambas as margens do rio Zêzere, num ponto do seu curso médio em que este inflecte meandricamente para oeste. Este troço do rio caracteriza-se pela sua sinuosidade, resultante do atravessamento do vale situado entre as serras da Cebola (a noroeste) e da Gardunha (a sudeste), serras essas que limitam a ocidente e sul a grande unidade geográfica da Cova da Beira.

As margens são bastante acidentadas e pedregosas, aparecendo os afloramentos de xisto azulado sob formas irregulares e bastante curvilíneas, proporcionando à paisagem um certo “aspecto lunar”. Ambas as margens fluviais apresentam desníveis consideráveis, fruto da orografia das serras já atrás referidas.

Para mais informações, consulte o site oficial das Aldeias do Xisto em:

Programa Aldeias do Xisto
http://www.aldeiasdoxisto.pt

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Última actualização: 15.05.2010

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